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27|04|2010 - Forth Enraizador: Fitohormônios das algas marinhas

 

ENRAIZAMENTO A PARTIR DA UTILIZAÇÃO DE EXTRATO DE ALGAS MARINHAS
Ao ler o título acima, podemos perguntar: Como utilizaremos um extrato de plantas aquáticas, plantas vindas do mar, para cuidar de nossos jardins?
              
A primeira questão que surge em nossas cabeças é exatamente a excentricidade de se utilizar produtos tão distantes da nossa realidade em ocasiões tão corriqueiras, como cultivar plantas sadias e viçosas, ou mesmo estimular o enraizamento rápido de uma estaca.
             
Quando olhamos a história da humanidade, percebemos que todos, ou quase todos os tratos culturais que empregamos em nossas plantas, foram baseados em observações de fenômenos da natureza, ou através de tentativas e erros. Por exemplo: O historiador grego Heródoto, 450 anos antes de Cristo, já relatava produtividades excepcionais obtidas pelos habitantes da mesopotâmia, provavelmente resultante das enchentes dos rios que traziam água e nutrientes. O filósofo grego Teofrasto (372-287 aC) recomendava o uso abundante de estercos em solos rasos, pois observava maior produtividade na plantas de cevada. Atualmente, podemos citar o uso do calcário que tornou-se viável devido a observações e pesquisas, em que se notou que a maioria dos solos brasileiros possuem caráter ácido, associado à presença de Al e Mn em concentrações tóxicas. Além de solos com baixo teor de cátions de caráter básico como o Ca e Mg, então por que não acrescentar carbonato de cálcio e magnésio em nossos solos. Hoje este é um dos tratos culturais mais importantes e limitantes para desenvolvimento da maioria das nossas culturas.
              
A partir destas observações, a agricultura mundial procura sempre produtos e processos que baseados no passado e com incrementos tecnológicos possam se tornar importantes para o desenvolvimento dos vegetais. Assim é o caso das algas marinhas da espécie Ascophyllum nodosum, elas vivem em regiões do globo terrestre onde existe o fenômeno das marés altas, em que a variação entre marés altas e baixas no mesmo dia podem chegar a 8 metros. Com isso as algas desenvolveram ferramentas para sobreviverem parte do dia submersas em águas frias e parte do dia sobre as pedras expostas ao sol quente. 
             
Estas ferramentas abrangem diferentes grupos de substâncias, sendo elas fitohormônios naturais, vitaminas, aminoácidos livres e polissacarídeos funcionais, que são substâncias de extrema importância para o cultivo de plantas agrícolas. 
                
Estas características foram descobertas há centenas de anos por agricultores das regiões de ocorrência natural das algas (Irlanda, Inglaterra e Escócia), onde observaram que as lavouras onde eram depositadas as algas sobre solo, formavam plantas vigorosas e produtivas. Com o advento de pesquisas mais detalhadas, constatou-se que esta variação ambiental causada pelas marés servia como estímulo para as algas produzirem estas substâncias.
               
Estas algas vivem fixas em bancos rochosos que sofrem erosões diariamente, liberando lentamente minerais na água. Com isso, o extrato de algas marinhas apresenta mais de 60 nutrientes em sua composição natural, dentre eles alguns macronutrientes como o Ca, K, Mg e S e micronutrientes como o B, Mn, Fe, Cu e Zn. Outra característica peculiar destes vegetais marinhos é a alta concentração de Alginato um polissacarídeo que compõe a estrutura da parede celular das algas, que faz com que elas armazenem água nas células e permaneçam hidratadas por todo o período que passa exposta ao sol. O Alginato, ao ser empregado no solo, desempenha o mesmo papel de reter água e agregar as partículas do solo, proporcionando um ambiente ideal para o desenvolvimento das raízes e absorção dos nutrientes. Também é considerado uma rica fonte de carbono para a microfauna do solo, a qual é considerada a VIDA do solo.
             
Outra característica muito interessante desenvolvida ao longo dos processos evolutivos, é a produção de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário - metabolismo que não é essencial para a sobrevivência da alga - para protegê-la da exposição a raios solares (UV) e exposição ao ar. Estas substâncias podem ser relacionadas com os betacarotenos (presente na cenoura) ou as antocianinas (presentes na Uva e no Açaí) que ao serem empregadas na agricultura estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças.
         
A principal característica das algas marinhas está na presença de pequenos aminoácidos, precursores de hormônios vegetais e a presença dos próprios fitohormônios, tais como: Auxinas (hormônio do crescimento, divisão celular), giberelina (floração, alongamento celular), citocininas (hormônio da juventude, retardamento da senescência).
         
A presença destes fitohormônios, aliados a presença de nutrientes e todos as outras características já listadas acima, nos permite entender o porquê das observações e conhecimentos adquiridos pelos sábios agricultores dos Mares do Norte.
        
Hoje em dia, estas algas são coletadas manualmente em fazendas marinhas com certificação orgânica nos países de origem. São processadas através de tecnologias que não utilizam produtos químicos e sim processos físicos em baixas temperaturas, o que permite extrair todos os componentes presentes na alga, sem que haja degradação e perda de qualidade.
        
As técnicas agronômicas nos permitem manejar as plantas para diversos fins. Uns para produção de lindas flores, outros para produção de gramados fechados e funcionais, outros para alta produtividade de grãos. Seja lá qual for a função, precisamos sempre de plantas sadias e vigorosas, e para isso, temos que lançar mão de manejos e insumos funcionais. Desta forma, posso ver o extrato de algas marinhas, como uma nova ferramenta, eficaz e interessante para promoção do enraizamento rápido e sadio nos vegetais.
Maurício Andrião - Engº Agroº MSc.
 



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